Poesias de Cum Força

quinta-feira, 28 de junho de 2018


LEMBRANÇAS DO SERTÁO

(Léo Manuel  X  Eduardo Viana)

LM. Andar montado em jumento,
Limpar mato no roçado .
Fazer chiqueiro pra porco,
Cortar cana para o gado.
São coisas do sertanejo
Que já fiz no meu passado.

EV. Eu cortei terra de arado,
Bati enxada no trilho.
Já vesti calça de mescla
Parecendo um andarilho.
Tirei água de cacimba
Fiz carvão e ralei milho.

LM. Estou lembrando do brilho
Da fogueira de São João.
Das quadrilhas, brincadeiras,
Bandeirinhas e balão.
Também das comidas típicas
Do meu querido sertão.

EV. Bacamarte e foguetão
Faziam a terra estrondar.
Tiro de “peido de veia”,
Lenha verde a fumaçar.
E na brasa da fogueira
Milho verde pra assar.

LM. Um repentista a cantar
As coisas da nossa gente.
E no alpendre da casa
Uma velha já sem dente
Contando para o netinho
Os causos de antigamente.

EV. A meninada contente
Brincava fazendo pega.
Dois cabras negociando
Uma cabra numa jega.
Pra depois comemorar
No balcão duma bodega.

LM. Marré-marré, cabra-cega,
Pião, bola, amarelinha,
Esconde-esconde, peteca
E ciranda cirandinha.
Tantas outras brincadeiras
Que no meu passado tinha.

EV. A reza da ladainha
Onde a sala era o cenário.
Pai e Nosso, Ave Maria
Pelas contas do rosário.
E um coração de Jesus
Enfeitava o calendário.

LM. Tinha o canto do canário
Preso dentro da gaiola.
E meninos e meninas
No mesmo jogo de bola
Aproveitando o recreio
No campinho da escola.

EV. A patativa de gola
Em um galho de jurema
Se balançando no vento
Como quem fez um poema.
São lembranças sertanejas
Que falamos nesse tema.

LM. O sertanejo da gema
Sempre gostou de coalhada,
Farinha com rapadura,
Baião de dois, panelada,
Cocada, alfenim, pirão,
Cuscuz, toucinho e buchada.

EV. A rapadura raspada
Dava um gosto no café.
Um pirão de corredor
Dava força e dava fé.
E farofa de toucinho
Deixava o sujeito em pé.

LM. O famoso arrasta-pé
Pra dançar com um xodó
Numa sala de reboco
Onde existia um forró.
E um bêbado alegre dizia
“Num conheço algo mió".

EV. Uma pedra de quixó
Para se pegar preá.
Na roça de melancia
Tinham rastros de guará.
Hoje morando distante
Sinto saudades de lá.

LM. A cangalha, o caçuá
Sela, perneira, gibão,
Chicote, chapéu de couro,
Um cambito e um surrão
Tudo isso a gente viu
Numa casa do sertão.

EV. Ouvi canto de carão
Para adivinhar chuva.
E já vi roça cortada
Pelo dente da saúva
Na noite preta, da cor
Dum vestido de viúva.

visando preservar os direitos autorais, publicamos apenas parte do cordel,
caso queriam o cordel completo enviem emails ou whatsap para o editor.


CORDEL EM DUPLA,
 PEGANDO NA DEIXA,
 EM SEXTILHA.


Léo Manuel Ferreira Santiago (em arte Léo Manuel) nasceu na cidade de Maranguape-Ceará, aos 10 de abril de 1994. Formado em Gestão Pública pelo Centro Universitário Estácio do Ceará. Já publicou as obras: A vida do agricultor e a conversa do pidão, Evangelizando em cordel, A morte dos três bandidos ou o laço do diabo, A história de Zé Valente e a sexta feira 13, O livro do destino e Tuca o campeão da mentira.

Eduardo Viana de Melo é natural de um sítio no município de Zabelê- PB. Trabalhou na Chesf, onde foi Técnico de Telecomunicações e aposentou-se. Morou em Zabelê PB. , Paulo Afonso-BA. E reside em Recife PE. Na infância sempre admirou a arte dos cordéis e continua admirando. Já escreveu vários trabalhos, só e em parceria. É chegado a um tom humorístico nas suas escritas. Escreve quase que por diversão e passatempo.

 .

segunda-feira, 11 de junho de 2018

LAMPIÃO E A DONZELA CHIQUINHA
autora : Isabel Maia

Neste cordel apresento
uma moça sua historia
lá pra´s bandas do sertão
numa vidinha simploria
Francisca, menina linda
rebelde, contraditória.

chiquinha moça donzela
tinha planos pra fugir
rezava para seus santos
ao deitar para dormir
com o rosario na mão
promessa pra conseguir

lugar sem brilho , sem graça
a moça sempre chorando
do roçado para casa
seu tempo desperdiçando
com pavor de ficar só
travessuras, ia pensando.

preservando os direitos autorais
colocamos apenas a primeira página do cordel.
Cordel em sextilha,  com esquema de rima            X A  X  A  X  A
CORDEL DE 8 PÁGINAS
CORDEL DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER
Altair Leal

NESTE CORDEL VOU FALAR
DA VIOLENCIA QUE ACONTEÇE
CONTRA ALGUÉM QUE NÃO MERECE
NEM SOFRER, NEM APANHAR.
POIS MULHER É PRA AMAR
SEJA MÃE OU COMPANHEIRA
IRMÃ, AMIGA, PARCEIRA.
MULHER É ALGO DIVINO
PARA MIM É TRATO FINO
NÃO CABE AÇÃO GROSSEIRA.

GENTE A MULHER É OURO
MULHER É UMA JOIA RARA
JOIA PRECIOSA E CARA
E É DO HOMEM ANCORADOURO
NÃO É PRA SENTIR NO COURO
SINAL NENHUM CHIBATA
PRA MIM É PSICOPATA
QUEM AGE ASSIM SEM RAZÃO
QUEM AMA NÃO BATE E NÃO
CONSENTE QUE OUTRO BATA.

HÁ VIOLENCIA MORAL
INJURIA DIFAMAÇÃO,
CHANTAGEM , INTIMIDAÇÃO
VIOLENCIA SEXUAL
COLETIVA, PATRIMONIAL
OSSEAS, PSICOLÓGICAS
CUTANEAS, NEUROLOGICAS
TAPAS E XINGAMENTOS
HUMILHAÇOES, XINGAMENTOS
E MUITAS  FISIOLÓGICAS.

SEJA MORTE OU ENTÃO LESÃO
FISICA OU PSICOLOGICA
EU NÃO ENCONTRO UMA LÓGICA
NEM TAMBEM EXPLICAÇÃO
SE BATER  PERDE A RAZÃO
E É UMA ATITUDE PRIMATA
POIS NEM MESMO UM VIRA-LATA
EM SUA PARCEIRA ENCOSTA!
COMO É QUE ALGUEM GOSTA
DE UMA PESSOA E MALTRATA?

É UM PROBLEMA DE SAUDE
PUBLICA ,ESSA VIOLENCIA
CONTRA A MULHER É UMA INDECENCIA
MAS É PRECISO ATITUDE
PARA QUE A COISA MUDE
E O AMOR PREVALEÇA
QUE O HOMEM NUNCA ESQUEÇA
É FACIL DE IMAGINAR
POIS MULHER É PARA AMAR
E QUE ELE A MEREÇA.

COMPANHEIRA OU COMPANHEIRO
SEJA PARCEIRO OU PARCEIRA
PRESERVE BRANCA A BANDEIRA
QUE O AMOR VENHA PRIMEIRO
QUE UM DO OUTRO AME O CHEIRO
QUE AJA CARINHO E TESÃO
E QUE EXISTA O PERDÃO
NA HORA DE UM ERRO A TOA
PORQUE QUEM AMA PERDOA
E PRA VIOLÊNCIA DIZ NÃO.

A MULHER ERA CRIADA
PRA OBEDECER E PROCRIAR
MAS ISTO VEIO A MUDAR
HOJE ESTÁ EMPODEIRADA
TEM UMA MENTE AVANÇADA
FRAGIL SÓ FISICAMENTE
MANIFESTA-SE SOCIALMENTE
BUSCANDO OS SEUS DIREITOS
QUEBRANDO ASSIM PRECONCEITOS
DE PARCEIROS E PARENTES.

TODA MULHER HOJE EM DIA
VAI PRA ONDE ELA QUISER
SE IMPOE COMO MULHER
COMO SEMPRE DEVERIA
VIVE A SUA ALEGRIA
TEM DIREITOS SOBRE ELA
FAZ DA SUA PASSARELA
SEU CAMINHO PARA BRILHAR
CHEGA ONDE QUISER CHEGAR
BUSCANDO SUA AQUARELA...

Preservando os direitos autorais colocamos apenas as seis primeiras páginas do cordel. Cordel  de oito páginas , feito em decassílabo,com esquema de rima, ABBAACCDDC.




quarta-feira, 6 de junho de 2018




CARDÁPIO NAVAL
autor - Jaime Correia da Silva




Dizem que foi privilégio
Ter entrado na Marinha
Embarcado em um navio
Ser mandado pra cozinha
Para descascar batatas,
Veja que sorte esta minha!

Não sabia fazer nada
Referente à comida
Tinha que lavar panelas
Ficava com a mão fedida
Chorava quando a cebola
Tornava a vista ardida.

Quem trabalha na cozinha
É chamado de rancheiro
Assim começa a jornada,
Adestramento primeiro,
É prova de resistência
Pra marujo e fuzileiro

Rei Netuno, me ajude
A dizer como é que é
Que marinheiro escorrega
Rodopia e cai em pé
Navega com Iemanjá
E nela tem muita fé.

Como não sabia nada
Nem como usar o talher
Pois na casa de meu pai
Eu comia de colher
Por isso sentia medo
Fazer feio com mulher

Com tempo fui aprendendo
Agir com zelo e etiqueta
Fiquei craque socialmente
E ágil como um cometa,
Leia agora o que escrevi
Usando minha caneta:

Valei-me musa sagrada,
Protetora mãe sereia
Vamos falar do picado,
Almoço, jantar e ceia,
Sem malhar a refeição
Porque isso dá cadeia.

Vernáculo é linguagem
Particular de um país
O português que se escreve
Não é o que a gente diz,
Como fala o marinheiro
Desde o tempo de aprendiz.

Refeição se chama rancho
Qualquer comida é picado
Carne moída, meu chapa,
Eu chamo de boi ralado,
Sob o purê de batata
Aí é manto sagrado.

Hambúrguer, vejam vocês,
Que coisa interessante
Justo porque é redondo
Virou pata de elefante.
 ravióli e canelone,
Marujo, marche e cante!

Hambúrguer tem outros nomes
Que vão deixar mui contento,
Era compacto simples,
Também pata de jumento,
Picado de marinheiro,
De cabo, sub e sargento.

Cordel com 08 páginas , 16 estrofes, em sextilha , com rimas na 2ª, 4ª e 6ª estrofe., preço unitário do cordel, 2 reais.

Preservando os direitos autorais, não publicamos o restante do cordel,
caso tenham interesse, contactar com o escritor ou por aqui com nossa cordelaria.

FONES:

CORDELARIA :081 9 86695916 - zap
AUTOR 55 021 97185.3121