sábado, 21 de novembro de 2009
CONCURSO DE LITERATURA DE CORDEL
1º COLOCADO = 250 CÓPIAS DO CORDEL VENCEDOR.
2º COLOCADO = 150 CÓPIAS DO CORDEL VENCEDOR.
3º COLOCADO = 100 CÓPIAS DO CORDEL VENCEDOR.
Teremos como jurados um representante da U.B.E.(União Brasileira de Escritores), um representante da UNICORDEL(União dos Cordelistas de Pernambuco), um representante da Pantera Cordelaria,e mais duas pessoas envolvidas com cordel ( editor,historiador,músico popular,etc.).
Todos os cordéis enviados devem ser inéditos, e serão obras dos próprios autores durante e após o termino do concurso,cabendo a Pantera Cordelaria apenas a impressão numerada de 100 títulos dos cordéis vencedores,para divulgação e entrega em entidades culturais com autorização dos autores,independente das cópias dos prêmios.
Pedimos aos interessados que enviem seus textos ,25 estrofes mínimas para :
altaircordel@hotmail.com
panteracordelaria@gmail.com
colocando como assunto:
Concurso de Literatura de Cordel.
DIVULGUEM E PARTICIPEM
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
A COLETA SELETIVA E A RECICLAGEM DO LIXO- Ismael Gaião

A COLETA SELETIVA E
A RECICLAGEM DE LIXO
Da Consciência Ecológica
Devemos sempre lembrar
Pois quem pensa no futuro
Para a vida melhorar
Não gera lixo jamais
Só gera materiais
Que possamos reciclar
Nós devemos começar
Lembrando que antigamente
O lixo era tudo aquilo
Que não servia pra gente
Mas hoje pro nosso bem
Nosso lixo agora tem
Um conceito diferente
O Lixo é basicamente
O que a gente joga fora
Que não servia pra nada
Mas que hoje se explora
Porque as sobras humanas
De aglomerações urbanas
Têm utilidade agora
Diferente de outrora
Fazemos separação
De tudo que é reciclável
E do resto do lixão
Porque garrafas pintadas
Podem ser utilizadas
Por quem faz decoração
Pra fazer a seleção
De todos materiais
Vamos separar os plásticos
Papéis, vidros e metais
Pois pra mandar reciclar
Nós devemos afastar
Esse lixo dos demais
Problemas ambientais
Como a poluição
Produzida pelo lixo
Faz mal a população
Hoje temos consciência
Que o lixo da residência
Deve sofrer redução
E pra isso a solução
É a gente praticar
A Coleta Seletiva
Que consiste em separar
O lixo que é descartável
Do que é reaproveitável
Para mandar reciclar
Reciclar é transformar
Os materiais usados
Noutros produtos que possam
Ser comercializados
E a Minimização
Dos resíduos do lixão
Pressupõe ter três cuidados
Três termos utilizados
Para se minimizar
O primeiro é Reduzir
Depois Reaproveitar
Pra que o verso não emperre
O outro também tem R
O R de Reciclar...
Tem muito mais estrofes,
compre este cordel através do nosso email.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
AS MEIZINHAS DE VOVÓ
Na infância, sempre admirou essa arte e continua admirando.
Escreve sem fins lucrativos (nos dias que tem vontade), afinal de contas não precisa e dar graças a Deus por isto.
AS MEIZINHAS DE VOVÓ
(segundo meu pai)
Vovó morreu faz cem anos
A matéria virou pó.
Residiu pelo Agreste
Cariri e Moxotó.
Vou ver se conto a metade
Das meizinhas de vovó.
Comentam no Seridó
E pelo sertão inteiro
Que ela curava tudo
Só com remédio caseiro
Usando a boa vontade
Sem precisar de dinheiro.
Curava impinge e unheiro
Inquizila, estalicido
Vista cansada, soluço
Estopor, ventre caído
Tosse de cachorro doido
Tirissa e pé desmentido.
Curava de dor de ouvido
Tersol, lêndea e pé rachado
Fadiga, pipoca roxa
Caganeira e bucho inchado
Vazamento do oiti
Esquecimento e puxado.
De cisma a nervo triado
Juízo fraco e lundu
Pano branco, peito aberto
Gogo e praga de urubu
Nó nas tripas, ovo virado
Inchaço do mucumbu.
Mal olhado de guru
Palidez, esgotamento
Dor nos quartos, dermatose
Entojo, esmorecimento
Mau jeito do espinhaço
Demência e esquentamento.
Curava de passamento
Quebranto, reima e ziríngua
Olho de peixe, berruga.
Com tição curava íngua
Um, dois, três, íngua nenhuma.
Ninguém se acabava a míngua.
Curava afta na língua
Iscoliose e intalo
Pereba, piolho e pânico
Istripulia e abalo
Gastura, sapinho, alôjo
Pancada, tontura e galo.
A coluna dando estralo
Ela curava na hora
De dor na tábua dos queixos
Difurço e bolha que chora
Curava gente entupida
Caduquice e catapora.
Andava de mundo afora
Curando medo e pantim
Moleira mole e zueira
Peidança e arroto ruim
Murrinha, bicho de pé
Moquice, landra e lumbim.
Coceira de mucuim
Curuba e dor de viado
Coqueluche, calo seco
Brotoeja, joelho inchado
E bico de papagaio
Artrite e bucho quebrado.
Curava dor de viado
E vazamento na veia
Borbulha, gânglio e cistosa
E roncha de nó de peia
Minha avó curava até
Safadeza e cara feia.
Falança da vida alheia
Curava mostrando a mão
Cólica, dor no espinhaço
Labirinto e queimação
Até resguardo quebrado
Curava pelo sertão.
Carbúnculo e irritação
Ela curava à vontade
Farnizim e panadiço
Pensamento de maldade
Estrabismo, arquejamento
E dor de ventosidade.
Se uma coroa de frade
Furasse a perna de alguém
Ela tirava o espinho
De mandacaru também.
Gente com mesenterite
Ela curou mais de cem.
E nem perguntava quem
Para curar cacoete
Curava quem levou pisa
De chicote ou de cacete
Não importava a grossura
Nem a força do porrete.
Beliscão de tamborete
Arfância e palpitação
Espirro, veia quebrada
Incensatez, secreção
Curava fome canina
Furúnculo, ânsia e lesão.
Raiva, sarna e aflição
Artrose e difteria
Curava de esquisitice
E de esquizofrenia
Ronha, chilique e fricote
Tédio mutreta e mão fria.
Curava de nostalgia
Corpo quente e corpo frio
Jereba, rabugem, bócio
Descorado e arrepio
Derrame e tique nervoso
Coceira no gurgumio.
Curava de calafrio
Sem precisar de remédio
TPM e AVC
Vício, má fama e assédio
Parotidite e agouro
Sem carência de intermédio...
O RESTANTE DO CORDEL , SÓ COMPRANDO VISSE!, ADQUIRA ATRAVES DO 81-86695916, OU ENVIANDO EMAIL PARA ESTE BLOG.
BISACO DE SERTANEJO- Eduardo Viana
BISACO DE SERTANEJO
Inspirando o pensamento
No que vi e no que vejo
Quero falar numas coisas
Que há muito tempo desejo
Recordando o que tem num
Bisaco de sertanejo.
Bugigangas no varejo
Lá dentro tem mais de cem
Quando ele vai leva muito
Trás muito mais quando vem
Dentro do bisaco dele
Nem ele sabe o que tem.
Leva porção de xerém
Pra botar pra passarinhos
Oração pra se livrar
De intrigas de vizinhos.
E guarda pedras de figo
Encontradas nos caminhos.
Carrega também espinhos
Pra tirar pulga - de - bicho
Na hora que a bicha coça
Que ele sente o comicho.
Vai tudo no seu bisaco
Bem guardado com capricho.
Não adianta cochicho
Sertanejo é linha dura.
Carrega farinha seca
Para fazer a mistura
Com meia cabaça d’água
E um taco de rapadura.
Bota dentro tanajura
Pólvora, chumbo e espoleta
Um pinhão, uma ponteira
Carretel e carrapeta
Um quengo pra beber água
Um cabo de uma marreta
Leva papel e caneta
Mas não quer que ninguém diga
Que escreve pra namorada
Esconde e faz uma figa
Quem lê um bilhete dele
Pode comprar uma briga.
Pra curar dor de barriga
Tem folhas de juazeiro
Algodão para fazer
Pavio de candeeiro
Semente de coentro e couve
Pra semear no canteiro.
Prosseguindo o seu roteiro
Subindo e descendo morro
Leva papel higiênico
Bola pra matar cachorro
Barbicacho de chapéu
Cadarço, sovela e gorro.
Quem quiser levar esporro
Pergunte para que é.
Tem oração fraca e forte
Que alimentam sua fé
Tem canivete afiado
Tem trinchete e tem quicé.
Retrato de São José
No seu bisaco carrega
Uma revista pornô
Um CD velho de brega
Um limão pra tomar uma
Quando chegar à bodega.
Colírio pra vista cega
Bágem de fava e feijão
Alecrim para dar sorte
Prego, martelo e formão
Estátua de padre Cícero
Agulha, linha e botão.
De jerimum e melão
Tem sementes pra plantar
Suspira e respira fundo
Quando o bisaco pesar
Apóia a mão na correia
Pede a Deus pra lhe guiar.
Uma pedra de amolar
Uma banda de tijolo
Fósforo, isqueiro, querosene
Cigarro, fumo de rolo
E melancia passada
Que já soltou o miolo.
Taco de queijo e de bolo
Mata - fome e mariola
Veneno para lagartas
Escopo, pincel e cola
Leva cortador de unhas
Nylon e Correa de sola.
Uma corda de viola
“Cabacim” pros animais
Tanto tem coisas antigas
Como coisas atuais.
Quem pensar que se acabou
Pois agora é que tem mais.
... EITA TEM MUITO MAIS, PORÉM O RESTANTE SÓ COMPRANDO O CORDEL, NUM TÔ DIZENDO, MAS DE QUALQUER MANEIRA...
domingo, 16 de agosto de 2009
NUM TÔ DIZENDO!!!
- olha ! literatura de cordel.
- o que é isso? Perguntou a namorada.
Meu Deus, a moça tinha uns 20 anos e não sabia o que era literatura de cordel? De quem era a culpa? Do namorado? Da família? Ou da escola? Acho que o culpado é o namorado que não ensinou a ela o que é “literatura de cordel”.Ele tinha obrigação de ensinar,afinal romance e cordel tem tudo a ver, quem sabe assim influenciada por ele , o cordel ganharia mais uma leitora.De outra feita( adoro estes termos, embora ache uma merda, querer escrever difícil pra iludir o leitor)uma senhora de uns 50 anos ao passar por nosso stand, disse.
- Em casa tinha um monte desse livrinho e eu joguei tudo no lixo.
Meu Deus( de novo), como eu gostaria de estar próximo ao lixo desta senhora no momento em que ela colocou seu lixo com os “livrinhos” no “lixo”,iria me sentir um verdadeiro pinto na merda.Teve outros momentos legais, alguns momentos chatos, afinal nem só de comer é a vida, as vezes precisamos “descomer” também, e achar graça nisso,apesar do cheiro.Dias antes da Fenearte, morreu o ídolo Michael Jackson, que apesar da tristeza mundial, fez a festa dos cordelistas de plantão com vendas antes nunca alcançadas.Fazendo minha pesquisa própria, que não deve ser levada em conta , a não ser por mim,( antes que alguns críticos sejam contra) descobri que o povo do interior ainda gosta de cordel pois lembram os avós e os pais, pessoas do nível superior apreciam cordel, pessoas do nível médio alguns gostam de cordel( os com origens no interior) e as pessoas de nível fundamental( os da região metropolitana), a maioria não sabe, não conhece e não gosta de cordel. Eita ! vão me perguntar, mas você perguntou?.. Não, não perguntei apenas conversei com as pessoas.Depois disso tudo , teve o Festival de inverno de Garanhuns, e eu lá, com a bandeira do cordel.foram mais dez dias,cansativos ,porem interessantes, muito vinho, muita música ( o hotel ficava ao lado do palco principal), dormia com o som ao vivo de cantores e grupos como; Wanderléa,Nação Zumbi, o Rappa,e mais um monte de cantores que eu nem sabia que existia e outros que não teria dinheiro para pagar a entrada.Mas o mais legal mesmo , foi ver um ídolo da minha juventude, que eu pensava que nem cantava mais, ali na praça, cantando pra aquela multidão.” PARE DE TOMAR A PÍLULA”... eita porra, quantas lembranças ... palmas pra ‘ODAIR JOSÉ”, palmas,palmas,palmas,palmas,pior é que eu gostava mesmo.E os críticos que se danem, eles não tomam pílulas, gostam mesmo é de supositórios,naturais .Mas né assim mesmo? mas de qualquer maneira.
ALTAIR LEAL
quarta-feira, 1 de julho de 2009
"EU TENHO EXPERIENCIA"
De: Charlie Chaplin
Adaptação: Altair Leal
Moço eu preciso de emprego
Pra sustentar a família
A mulé e os meninos
Querem se alimentar
Tenha santa paciência
Eu só quero trabalhar
E o senhor vem me pedir experiência.
Já fiz cosquinha na minha irmã
Só pra ela parar de chorar
Já reclamei sem ter do que reclamar
Já me queimei brincando com vela
Já fiz três pedidos
E amarrei no braço uma fita amarela.
Já fiz bola de chiclete
E melequei todo o rosto
Já conversei com o espelho
Já menti de ficar vermelho
Já brinquei de bandido e artista
Já quis ser jogador, poeta, médico, trapezista..
Já me escondi atrás da cortina
E esqueci os pés de fora
Já cheguei adiantado e a outra
Pessoa atrasada duas horas.
Já passei trote por telefone
Já tomei banho de chuva
E acabei gripado
Já dei beijo roubado
Levei tapas e confundi sentimentos.
E assim tenho aprendido.
Peguei atalhos errados
E continuo andando pelo desconhecido,
A cada dia e cada momento...
Já raspei tacho de doce
E fiquei todo lambuzado,
Comi bago de jaca, sem ter medo da fome,
Já troquei de namoradas o nome
Já me cortei fazendo a barba apressado
Já chorei ouvindo musica, vendo filme.
Assistindo novela, fazer o que?
É possível!!!!
Já zombaram de mim
Me chamando de sensível
Veja só você !!!
Já tentei esquecer algumas pessoas
Mas descobri que essas são as mais difíceis de esquecer.
Já subi escondido no telhado
Pra contar estrelas,
Imaginar figuras nas nuvens...
Coisas de adolescente.
E quando beijei pela primeira vez,
Meu Deus como fiquei contente.
Já subi em arvores pra roubar frutas
Já subi em ônibus pra morcegar
Já pedi carona, já dormi em lona, já acampei.
Já fiz juras eternas, já escrevi no muro da escola.
Já chorei sentado no banheiro
Já fuji de casa pra sempre
E mal agüentei o dia inteiro... Voltei.
Já corri pra não deixar alguém chorando
Já me senti uma ilha no meio da multidão
Sentindo falta de uma pessoa
E eu ali à toa, eu e a solidão.
Me joguei na piscina sem vontade de voltar
Já bebi até ver o telhado rodar, vomitei...
Já olhei a cidade de cima
E não encontrei meu lugar.
Senti medo do escuro
Tremi de nervoso
Tudo isso é natural
E renasci pra ver
O riso de alguém especial.
Já me apaixonei pra sempre
Mas era um “pra sempre” pela metade
Já gritei,chorei,sorri de felicidade
Senti o peito apertar
Vendo amigos partindo
Mas a vida é um renovar
Um indo e vindo sem razão.
Foram tantas coisas feitas
Fotografadas pelas lentes da emoção
E do coração
E você ainda me fala de experiência?
Ta ai toda prova
Pra que experiência?
Se a todo o momento tudo se renova.
ALTAIR LEAL/ 2007-04-26,
Baseado em texto de Charlie Chaplin.
sexta-feira, 26 de junho de 2009
A CHEGADA DE MICHAEL JACKSON NO CÉU- Altair Leal

Em 25 de junho
No ano 2009
A noticia deu no rádio
E a todo mundo comove
Michael Jackson morreu
E o mundo assim perdeu
O seu rei do pop love.
Quero que aqui se comprove
O tamanho de seu cartaz
Um cantor maravilhoso
Talentoso esse rapaz
Muito bom esse menino
Um notável dançarino
Compositor bom demais.
uma vontade voraz
de ficar branco ele tinha
quando via um "cachete"
corria para a cozinha
para com agua tomar
no intuito de ficar
com a pele toda branquinha.
E o rei do pop assim vinha
Chamando muita atenção
com o filho na janela
"Cum" monte de operação
com escandalos infantis
com visitas ao juiz
com processos de montão.
mas me veio inspiração
pra fazereste cordel
Michael Jackson está morto
Eu nem sei se vai pro céu
E eu tava aqui pensando
Michael Jackson lá entrando
Vai ser grande o escarcéu.
Vai ter dança pra "dédéu"
É forró, xote e baião.
E a tá da Black music
Tocada por Gonzagão
Eita vai ser arretado
Michael vai dançar xaxado
"Cum" bando de Lampião....
ESTE CORDEL COMPLETO
ESTARÁ A VENDA NA FENEARTE
A PARTIR DO 03.JULHO DE 2009
NO STAND DA UNICORDEL.
sexta-feira, 12 de junho de 2009
MEU AGRESTE SAI NA FRENTE/FESTEJANDO A TRADIÇÃO.

I
Na cidade agrestina
Onde pulsa meu Nordeste
Nossa jóia do agreste
Desta pátria nordestina
A cidade nos ensina
O forró bom põe na mão
Reina o xote com baião
Vibra toda nossa gente
Meu agreste sai na frente
Festejando a tradição
II
Um São João bem verdadeiro
Com forró puxando um fole
Onde todo povo bole
O esqueleto por inteiro
Pois não tem forró fuleiro
Temos pife na canção
Bacamarte de pé no chão
Vitalino apois oxente!
Meu agreste sai na frente
Festejando a tradição
III
Festa tem Caruaru
A festança de primeira
Tradição gente guerreira
Danço eu e danças tu
Força de um mandacaru
Pois resiste com razão
Ao forró dando vazão
Num folguedo bem decente
Meu agreste sai na frente
Festejando a tradição
IV
Festas no Alto do Moura
Povo caruaruense
A festa daqui convence
Tem a chama duradoura
Pois Petrúcio aqui estoura
Tem bailado e tem quentão
Tem forrós de Gonzagão
Meu Brasil nordestemente
Meu agreste sai na frente
Festejando a tradição
V
Tem poeta cordelista
Onde reina o sanfoneiro
Batuque de zabumbeiro
O triângulo na pista
Nesta terra muito artista
Israel meu grande irmão
Nosso mestre Azulão
Faz forró lindo bem quente
Meu agreste sai na frente
Festejando a tradição
VI
Tem sanfona bem brejeira
Pra mostrar como se faz
Um São João pleno de paz
Com folia brasileira
Nesta terra a linda feira
Referência é a lição
Reina o mestre Camarão
Improvisa num repente
Meu agreste sai na frente
Festejando a tradição
VII
Mestre Onildo que escreveu
Ao falar da linda feira
Da gente trabalhadeira
Que Gonzaga enalteceu
O Brasil sim conheceu
Clareou muita visão
Ao mostra tal região
E seu povo competente
Meu agreste sai na frente
Festejando a tradição
VIII
Muita gente por aí
Esquecendo do passado
Faz forró modificado
Diferente do daqui
Gonzaga nunca esqueci
Seu forró nosso quinhão
Nele pulsa um coração
De Nordeste em nossa mente
Meu agreste sai na frente
Festejando a tradição
IX
Meu cordel vem bem feliz
Pra saudar quem decidiu
Nova festa construiu
Pois seu povo assim quis
Festejar nossa raiz
Tomou boa decisão
Vem cumprir nobre missão
Vem na hora mais urgente
Meu agreste sai na frente
Festejando a tradição
X
Eu aqui trago um cordel
Com o povo da academia
Que promove a poesia
Traz canção traz menestrel
Eu feliz neste papel
Com cordel com violão
Vim aqui com emoção
Versejar leve e contente
Meu agreste sai na frente
Festejando a tradição.
Allan Sales
Cordel publicado pela pantera
em junho/2009
domingo, 17 de maio de 2009
O COLORIDO DE COLLOR, QUE A GLOBO NUNCA MOSTROU- Ismael Gaião

Cordel publicado em 1989, e reeditado pela Pantera Cordelaria em maio de 2009
Quero alertar o povo
Para votar consciente
Porque nem sempre o mais novo
É o melhor para a gente
Pois esse Collor de Mello
Que dizem ser o mais belo
Não é novo no cenário
E mesmo sendo de chita
Não é gaiola bonita
Que dá comer a canário
Votar pela aparência
Como muita gente faz
É falta de consciência
Que prejudica demais
Pra concurso de beleza
Até eu tenho certeza
Que Collor é favorito
Mas para ser presidente
E trabalhar pela gente
Não precisa ser bonito...
(continua)
Adquira este cordel , enviando email
para panteracordelaria@gmail.com,
pedido mínimo 50 und.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
JOAQUIM HONROU A SUA TOGA,NÃO DEFENDE SAFADO NEM LADRÃO.

Este folheto de cordel foi escrito em cima do mote criado por Allan Sales, que o poeta Ismael Gaião, glosou no Jornal da Besta Fubana. Aí, o autor do mote resolveu por em forma de folheto esta produção em dupla, em cima de um assunto que inquieta a maior parte das pessoas de bem que assistem, com apreensão, a degradação dos poderes da república em seus variados estanques e que vêem na pessoa do Ministro Joaquim Barbosa um voz viva de nossa consciência cidadã coletiva.A Pantera Cordelaria envia a seus leitores, este mais novo trabalho publicado, saido do forno esta semana.
Joaquim honrou a sua toga
Não defende safado nem ladrão
I-Allan Sales:
O juiz que mostrou que tem coragem
E peitou seu Gilmar tão prepotente
Afro toga mostrou que é decente
E deixou para nós bela mensagem
Com Joaquim não terá tal vassalagem
Só justiça terá com tal varão
Com Gilmar sem o Dantas na prisão
Dona justa que ali toma no boga
Joaquim honrou a sua toga
Não defende safado nem ladrão
II-Ismael Gaião:
No Brasil muita gente ainda pensa
Que a justiça é feita para o povo
Mas já vimos que não é fato novo
Corrução e a venda de sentença
Basta dar uma grande recompensa
Que o rico não vai para prisão
A Justiça lhe dar a proteção
E o povo é quem toma no boga
Joaquim honrou a sua toga
Não defende safado nem ladrão
III-Allan Sales:
Um juiz que possui dignidade
Que falou do decoro do supremo
Pois tem cabra que ali é voz do Demo
Promover entre nós a impunidade
Joaquim com caráter da hombridade
Só povão do Brasil é seu patrão
Com Gilmar que perdeu a discussão
O Brasil por justiça muito roga
Joaquim honrou a sua toga
Não defende safado nem ladrão
IV-Ismael Gaião:
Um prefeito eu vi denunciado
Por ter sido eleito ilegalmente
A Justiça lhe deu grande presente
Pois deixou seu processo arquivado
Isso eu vi na cidade do Condado
Ocorrer na penúltima eleição
Comprovando pra minha frustração
Na Justiça o dinheiro é o que voga
Joaquim honrou a sua toga
Não defende safado nem ladrão
V-Allan Sales:
Joaquim nos honrou com sua fala
E falou o que nós aqui pensamos
E com ele lutar como lutamos
E deixar podridão feder na vala
Joaquim cabra bom Gilmar não cala
Rabo preso não tem retidão
O supremo na voz com decisão
O clamor popular nunca se afoga
Joaquim honrou a sua toga
Não defende safado nem ladrão
VI-Ismael Gaião:
O prefeito cumpriu o seu mandato
Como se, nada ali fosse errado
E ficou para o povo do Condado
Que aquilo era apenas um boato
Mas eu pude verificar o fato
E saber que sem ter filiação
O prefeito entrou na eleição
E ninguém contra ele advoga
Joaquim honrou a sua toga
Não defende safado nem ladrão
VII-Allan Sales:
Defendeu com coragem o pensamento
E falou que Gilmar tem seus capangas
E não foi vacilão em meio às zangas
Fez de si honorável instrumento
Joaquim foi sublime este momento
Foste voz do pensar desta Nação
Estarás entre nós és nosso irmão
O sentir da justiça desafoga
Joaquim honrou a sua toga
Não defende safado nem ladrão
VIII-Ismael Gaião:
Eu já vi um Juiz apavorado
Com a mudança que houve em Pernambuco
Porque ele ficou feito um maluco
E depressa saiu lá do Condado
Por um tempo fiquei desconfiado
Mas depois tive a comprovação
Porque esse Juiz tem caminhão
E o contrato o prefeito só prorroga
Joaquim honrou a sua toga
Não defende safado nem ladrão
IX-Allan Sales:
Quem falou e peitou tal poderoso
E mostrou como faz homem de bem
Tribunal bem maior que o povo tem
Contra todo chacal mais mafioso
Joaquim teve gesto corajoso
Nos orgulha tens raça ó negão
Foi Zumbi que guiou-te a falação
Com Gilmar aplacando tanta goga
Joaquim honrou a sua toga
Não defende safado nem ladrão
X-Ismael Gaião:
Ministros do Supremo Tribunal
Fizeram homenagem a Gilmar
Pois um ano acabou de completar
Não importa se o que ele faz é mal
O que importa é que a Corte Federal
Quis mostrar para o resto da Nação
Que Joaquim mesmo tendo retidão
No Supremo a sua voz não voga
Joaquim honrou a sua toga
Não defende safado nem ladrão.
Direitos Reservados.
terça-feira, 5 de maio de 2009
BOLSA DE MULHER

Não tem coisa neste mundo
Que guarde tanto segredo
É uma bolsa de mulher
Ela aprende isso bem cedo
Pois a bolsa de uma dama
Quando abre se esparrama
Tem coisa que mete medo
Nem mesmo Padre Quevedo
Consegue adivinhar
O conteúdo da bolsa
Que ela pode guardar
Pois camisinha aí tem
Pra ela trepar com seu bem
Sem medo de embuchudar
E para se maquiar
Tem ruge e tem batom
Chave da casa e isqueiro
Tem chiclete e nego bom
Ali cabe até CD
Um “walkman” pode crer
Para ela ouvir um som
Uma dúzia de bombom
Tem pastilha pra garganta
Tem escova de cabelo
Um “tick” pra pagar janta
Tem um cortador de unha
Tem confeito de pupunha
Viagra que o pau levanta
A idade ela espanta
Tintura da loreal
A “píula” do outro dia
Anticoncepcional
Tem lencinho de papel
De linha um carretel
E moedas de real
Dipirona sonrisal
Um “blush” retocador
Quando ela não tem “home”
Carrega um vibrador
Caneta lápis borracha
Um pacote de bolacha
Um comprimido pra dor
Tem OB ô meu senhor
CPF identidade
Carteira de motorista
E um postal da cidade
Leva agenda e caderneta
Leva um tampão de buceta
Se menstruar a “ cumade”
Tem rifa de caridade
Papel de jogo do bicho
Leva dois cartões de banco
Com um extrato bem mixo
Esmalte e acetona
Carrega tudo essa dona
E nada joga no lixo
Desodorante de esguicho
Também essa bolsa lota
Até escova de dente
Salgadinho de ricota
Pra agradar o amante
Leva um desodorante
Pra perfumar a xoxota
Leva fotos da patota
Um bocado de cartão
Retrato do namorado
E outro do Ricardão
Leva dinheiro trocado
Pra dar pro cabra safado
Flanelinha que é ladrão
Fio dental e loção
E uma calcinha nova
Perfume francês bem caro
Que ela sempre renova
Um “kit” pra fazer teste
Se embuchudar de um peste
Ela tira logo a prova
E de vodca Slova
Leva uma garrafinha
Pra não gastar no boteco
Esperta esta mocinha
Mas também leva uísque
Nessa bolsa nunca cisque
Ela fica arretadinha
Um bilhete da vizinha
Telefone celular
Quando estoura a conta
Um cartão da TELEMAR
Dentifrício efervescente
Leva berilo e um pente
Um espelho pra se olhar
Um troço pra depilar
A xereca e as canelas
A bolsa de uma “feme”
Tem coisas úteis e belas
Tem até lexotan
Cordel do poeta Allan
E até um par de velas
Leva um guia de novelas
Carnê do IPTU
Canhoto do IPVA
Retrato de homem nu
Mas se ela sofre da sina
Leva até novarrutina
Pras hemorróidas do cu
Eu já falei pra chuchu
Acredite se quiser
Dona Carol deu o tema
E eu versejo com fé
Com a caneta entre os dedos
Revelando os segredos
Da bolsa de uma mulher.
ESTE É MAIS UM CORDEL PUBLICADO POR PANTERA CORDELARIA.
ADQUIRA ATRAVES DESTE SITE OU EM CONTATO COM O AUTOR.
Allan Sales: Músico, poeta e compositor.
Natural do Crato-CE e radicado no Recife desde 1969.
Desde 1997 dedica-se ao cordel sendo autor de mais de
350 textos sobre os mais variados assuntos,
sendo os temas políticos e os de humor os seus preferidos.
Fones: 81- 3339.5251 / 8845.9991
e-mail: allanmenestrel@gmail.com
www.allancordelista.blogspot.com
domingo, 19 de abril de 2009
MENINO-URUBU

Poeta Altair Leal, declamando no Sarau do Espaço Pasargada(18.04.2009), na Casa onde morou o grande Poeta Manuel Bandeira.
MENINO URUBU
Eu vi o menino no lixo,
Eu vi o urubu...No luxo.
Que prato vai comer o bicho?
A carne ou o lixo?
Quem é lixo?
Quem é carne?
Quem é bicho?
Quem viu adiante o destino,
Tendo a frente um futuro nu?
Terá sido o urubu-menino?
Ou foi o menino-urubu?
Altair Leal/ direitos reservados
poesia publicada no livro
Marginal Recife vol.05
sábado, 11 de abril de 2009
OFICINA DE CORDEL- AULA I
Olá bloqueiros, passo pra vocês o pouco que sei sobre literatura de cordel.Vou dividir esta oficina em módulos, a principio trabalharemos a quadra ,depois a sextilha, septilha e assim adiante.Todo cordel é simples de fazer, o que atrapalha um pouco é a métrica( o que dá tonalidade ao verso)e o esquema das rimas( o que dá qualidade a estrofe) as rimas do cordel em quadra ,são redondilhas maiores ou seja, com sete sílabas. Então pra facilitar a rima iniciaremos com a quadra, no esquema “x a x a”ou seja ;
Quadra : estrofe com quatro versos. Esquema de rima:X A X A, rimaremos apenas os versos denominados “A”.
Trabalharemos nesta oficina o texto em si, quanto a história ,isto você adquire em qualquer site que fale sobre literatura de cordel.Vamos usar neste primeiro exemplo , um texto bastante conhecido por todos.
MÓDULO I
- QUADRA
ESQUEMA DE RIMA: X A X A
Eu sou pequenininho X ( os versos denominados “X”, não rimam.
Do tamanho de um botão A
Carrego papai no bolso X
E mamãe no coração. A ( os versos denominados “A”, rimam entre si.).
Tente fazer estrofe com este esquema.Pegue uma folha de papel, faça quatro riscos e no final dos riscos coloque o esquema, assim ficará mais fácil de você rimar.exemplo.
_______________________________________x
_______________________________________a
_______________________________________x
_______________________________________a.
Após ter aprendido a rima , vamos agora aprender a métrica,usando o exemplo abaixo.Métrica nada mais é que a divisão silábica do verso,ou seja cada silaba poética do texto,que é diferente da sílaba gramatical.Vamos ao texto.
TEXTO TEXTO METRIFICADO
Eu que sou pequenininho EU/QUE/ SOU/ PE /QUE /NI /NI /NHO 08 silabas
Do tamanho de um botão DO /TA/ MAN/ HO /DE UM/ BO/ TÃO 07 silabas *
Carrego papai no bolso CA /RRE/GO/PA/PAI/NO/BOL/SO 08 silabas **
E mamãe no coração. E/ MA/ MÃE /NO /CO/ RA/ ÇÃO. 07 silabas
Dúvidas.
• No segundo verso juntamos as sílabas “DE UM” , porque como silabas poéticas se tornam um só fonema, “DEUM” ,”DUM”.
• No primeiro e terceiro verso, após a divisão silábica(métrica) surgiram oito versos, porém apenas sete versos são aceitáveis na métrica , mas a tonalidade é feita na ultima sílaba tônica,neste caso a ultima silaba tônica é “ BOL”, estando assim o texto dentro da métrica.
EXEMPLO DE VERSO DESMETRIFICADO
Eu sou pequenininho
EU/SOU/PE/QUE/NI/NIN/HO - 06 sílabas poéticas.
Quase do tamanho de um botão
QUA/SE /DO/TA/MAN/HO/DEUM/BO/TÃO.09 sílabas poéticas.
Carrego o meu papai no bolso
CA/RRE/GO/MEU/PA/PAI/NO/BOL/SO – 08 sílabas poéticas.
E minha mamãe no coração.
E/ MIN/HA/MA/MAE/NO/CO/RA/ÇÃO. - 09 sílabas poéticas.
Finalizamos assim este primeiro módulo,tentem fazer os versos e enviem via email para “ panteracordelaria@hotmail.com” , para que assim possamos tirar dúvidas.Em breve colocarei no site o módulo II” SEXTILHA.
Abraços poéticos para todos.
Poeta Altair Leal
sexta-feira, 10 de abril de 2009

O JAPONÊS QUE BOTOU
GAIA NO VIZINHO
SAI O HOMEM PARA LUTA
À NOITE ELE TRABALHAVA
A COMPANHEIRA ESPERTA
NAS CALADAS APRONTAVA
A MULHER! FOGO DANADO
SENTIU FALTA DE CARINHO
MAS PORTANTO INQUIETA
FOI PROCURAR SEU VIZINHO
DIZ ELA - AQUI TEM UM BICHO
VENHA PROCURAR COMIGO
MEU MARIDO TÁ AUSENTE
ATÉ PARECE CASTIGO
ESTOU SÓ TODAS AS NOITES
VAI LOGO ADIANTANDO
O RAPAZ ERA SOLTEIRO
DA CONVERSA VAI GOSTANDO
PERGUNTA ELE ANIMADO
CADÊ O BICHO MADAME
VOU MATÁ-LO COM PORRETE
ESSE MUNDO É INFAME
ELA CHAMA O BOM MOÇO
BEM PERTO DA SUA CAMA
O VIZINHO ASSUSTADO
PENSOU - VOU ENTRAR EM CANA
DE REPENTE ELE SENTE
UMA TREMENDA SENSAÇÃO
DISSE DONA VOU EMBORA
DESCONFIA DA ARMAÇÃO
A HISTÓRIA SE REPETE
COM UMA CERTA FREQUÊNCIA
ELES FICAM APAIXONADOS
DÃO FOLGA PRA DILIGÊNCIA
MAS A MULHER ENGRAVIDA
O ESPOSO TÁ CONTENTE
LOGO PREPARA ENXOVAL
TODO DIA TRAZ PRESENTE
OS NOVE MESES SE PASSAM
O VIZINHO INDIFERENTE
TIROU O SEU CORPO FORA
VOLTANDO A SER CARENTE
A CRIANÇA ENTÃO NASCE
COM OLHOS APERTADINHOS
O PAI ESPERA OS MESES
PARA VER OS SEUS OLHINHOS
ELE FICA AGONIADO
PERGUNTA AO PEDIATRA
ESTES OLHOS TÃO FECHADOS
ME DIGA! DO QUE SE TRATA
O DOUTOR DISSE AMIGO
A CRIANÇA É SADIA
TEM O MESMO OLHOS NORMAIS
VÊ BEM CLARA A LUZ DO DIA
O DOUTOR FAZ UMA PERGUNTA
A ESPOSA FICOU BEM MAL
RESPONDA-ME BEM, CLIENTE
TENS PARENTE ORIENTAL?
O CORNO DESCONFIADO
RETRUCA... ALGUM JAPONÊS?
O DOUTOR DIZ ISSO MESMO
QUEM SABE TENHAS TALVEZ!
DOUTOR DEIXE DE CONVERSA
DIZ O HOMEM APERRIADO
ABRA OS OLHOS DO MENINO
ESTOU MUITO ANGUSTIADO
O DOUTOR BEM EDUCADO
DIZ, NÃO SE AFLIJA POR FAVOR
OS OLHOS DA CRIANÇA NÃO,
ABRA OS OLHOS O SENHOR
O JAPONÊS FOI EMBORA
O HOMEM TROCOU DE EMPREGO
CRIOU O FILHO DO OUTRO
COM MUITO AMOR E APEGO
BRINCADEIRA, FICÇÃO
DE UM VIZINHO SOTURNO
NÃO PEÇAM CONTAS DO EMRPEGO
OH! TRABALHADOR NOTURNO.
Isabel Maia
Abril/2009
"cordel publicado pela Pantera Cordelaria em
Abril de 2009.
TEMA: Humor
MÉTRICA: Sete sílabas (poéticas).
GÊNERO : Quadras
ESQUEMA DE RIMAS: XAXA / FINAL COM "A" RIMA, FINAL COM "X" NÃO RIMA.
Adquira este cordel atraves deste site.ou entre em contatos com a autora
mai.abel@hotmail.com / 3433.6547.
domingo, 22 de março de 2009
MOVIMENTOS SOCIAIS
POETA ALTAIR LEAL, EM ENCONTRO POÉTICO NO MERCADO DE SÃO JOSÉ, JUNTO A POETAS DA UNICORDEL(UNIÃO DOS CORDELISTAS DE PERNAMBUCO)
MOVIMENTOS SOCIAIS
(A realidade em busca de um sonho)
I
NESSE PAÍS CONTINENTE
DE TERRA PRA MAIS DE MIL
QUE NÓS CHAMAMOS BRASIL
TERRA DE POVO DESCENTE
É TRISTE VER TANTA GENTE
SEM TER CASA PRA MORAR
E MESMO AO LABUTAR
O QUE SE GANHA, SE GASTA,
E AI O SONHO SE AFASTA
MAS É PRECISO LUTAR.
II
REFORMA AGRÁRIA HONESTA
RESOLVE O PROBLEMA CRÍTICO
MAS O GRANDE IRMÃO POLÍTICO
DIZ QUE PRO POBRE NÃO PRESTA
PORÉM PRO RICO FAZ FESTA
BEIJA O LATIFUNDIÁRIO
E O TRABALHADOR AGRÁRIO
SOFRE DISCRIMINAÇÃO
QUEM COLHE E QUEM LAVRA O CHÃO
É TRATADO COMO OTÁRIO.
III
OS SOCIAIS MOVIMENTOS
LUTAM POR MELHORES DIAS
QUE HAJA MAIS MORADIAS
E BEM MENOS SOFRIMENTOS
AINDA VEREMOS MOMENTOS
EM QUE TODO CIDADÃO
DA NOSSA RICA NAÇÃO
TERÁ CASA PRA MORAR
UM CANTINHO PARA PLANTAR
E A PAZ NO CORAÇÃO.
IV
É UMA LUTA COMPANHEIRO,
ESSA NOSSA ATUAÇÃO
FAZEMOS REUNIÃO
MOVIMENTO VERDADEIRO
O PENSAMENTO PRIMEIRO
SÃO AS TRILHAS SOCIAIS
NÃO QUEREMOS NADA MAIS
QUE TRABALHO, PÃO E TERRA;
NÓS NÃO FAZEMOS A GUERRA
LUTAMOS POR IDEAIS.
V
TEM PESSOAS QUE NÃO GOSTAM
DAS NOSSAS ATUAÇÕES
REJEITAM AS INVASÕES
NOS SEM TERRAS NÃO APOSTAM
MAS TEM UNS QUE SE ENCOSTAM
PENSANDO TIRAR PROVEITO
MAS PARTIMOS DO CONCEITO:
TERRA PARA QUEM PRECISA.
NOS SUAMOS A CAMISA
É BUSCANDO ESTE DIREITO.
VI
VOCE SABE O QUE É VIVER
DEBAIXO DE UMA PONTE,
SEM VISLUMBRAR HORIZONTE
E SEM TER O QUE COMER,
VER SEU FILHO ADOECER
SEM REMEDIO PRA TOMAR,
SEM DINHEIRO PRA COMPRAR.
MAS NÃO CHORARIA O PRANTO,
SE CASO TIVESSE UM CANTO
PRA MORAR E PRA PLANTAR.
VII
SOMOS VÁRIAS ENTIDADES,
AS COMISSÕES PASTORAIS.
TODO DIA OS JORNAIS
SÓ FALAM BARBARIDADES
NÃO CONHECEM AS VERDADES
DESSAS NOSSAS INVASÕES
AGIMOS NAS REGIÕES
DE TERRAS ABANDONADAS
SE NÃO FOREM RECLAMADAS
MONTAMOS INSTALAÇÕES.
VIII
E POR MEIO DE MEDIDAS
AS CHAMADAS “PROVISÓRIA”
QUEREM MUDAR A HISTÓRIA
DE NOSSA GENTE SOFRIDA
POLÍTICO NÃO CAI NA LIDA
SÓ USA PAPEL E CANETA
SE ACHANDO RAÇA PERFEITA
NÃO PEGA EM UMA ENXADA
E NOSSA GENTE COITADA
CADA VEZ MAIS NA SARJETA.
IX
QUEREM CRIMINALISAR
A OCUPAÇÃO DA TERRA
E O NOSSO GOVERNO ERRA
SEM QUERER NOS RESPEITAR
E COSTUMAM NOS TRATAR
TAL E QUAL OS MARGINAIS
BOTANDO POLICIAIS
PRA PERSEGUIR NOSSA GENTE
MAS NÓS SEGUIMOS EM FRENTE
FUGIR DA CAUSA JAMAIS
X
QUEM NÃO LEMBRA ELDORADO
DOS CARAJÁS, NO PARÁ?
QUE A FORÇA “MILITÁ”
SOBRE O MANDO DO ESTADO
FEZ UM MASSACRE DANADO
19 HOMENS MATANDO
POBRES QUE ESTAVAM LUTANDO
POR UM PEDAÇO DE TERRA
E O GOVERNO FEZ A GUERRA
COM ESSAS VIDAS CEIFANDO
XI
E NÃO DÁ PRA ESQUECER
A IRMÃ DOS EMPOBRECIDOS
QUE PELOS DESPROTEGIDOS
LUTOU SEMPRE ATÉ MORRER
DIZENDO: ”ENQUANTO EU VIVER
NUNCA VOU ME INTIMIDAR
NEM FUGIR, NEM DESPREZAR,
O MEU POVO SOFREDOR “.
IRMÃ DOROTHY SEU VALOR
SEMPRE IREMOS PRESERVAR.
XII
QUANTO A INTENSIFICAÇÃO
NO NUMERO DE ASSENTAMENTOS
GERA DESENVOLVIMENTOS
MELHORANDO A CONDIÇÃO.
NA ÁREA DE OCUPAÇÃO
O IMPACTO SOCIAL
TRÁS PARA O HOMEM RURAL
UMA VIDA MAIS SADIA
GERANDO ECONOMIA
DE FORMA DIGNA E REAL.
XIII
SEMPRE HOUVE INVASÃO
DE TERRA NESTE PAIS
PORÉM O POBRE INFELIZ
SEM TER UM PALMO DE CHÃO.
QUEM SE ACHAVA COM RAZÃO
SE TORNAVAM UNS GRILEIROS
SE METIAM A POSSEIROS
DE UMA TERRA DEVOLUTA
MAS ENTRAMOS NESTA LUTA
CONTRA ESSES FAZENDEIROS.
XIV
SEJA NO CAMPO OU CIDADE
TODO NOSSO MOVIMENTO
TEM ELE UM SÓ PENSAMENTO
VIVER COM DIGNIDADE
BUSCAR UMA SÓ VERDADE
QUE É A LUTA DE UMA VIDA
QUE SEJA MENOS SOFRIDA
QUE SEJA UM SONHO REAL
SEJA URBANO OU RURAL
CICATRIZANDO A FERIDA.
XV
NÃO QUEREMOS NADA MAIS
QUE TERRA PARA PLANTAR
UMA CASA PRA MORAR
E ASSIM VIVER EM PAZ
FELICIDADE DEMAIS
QUANDO ISSO ACONTECER
LUTAMOS PRA MERECER
NOSSO PEDAÇO DE CHÃO
TER NA MESA NOSSO PÃO
NO QUINTAL O QUE COLHER.
XIV
NOS SOMOS TRABALHADORES
LUTANDO POR IDEAIS
NÃO QUEREMOS SER IGUAIS
AOS RURALISTAS OPRESSORES
EIS NOSSO SONHO SENHORES:
“GOVERNO QUE NÃO ATRAPALHE,
TERRA ONDE MORE E TRABALHE,
HONRANDO ASSIM NOSSO NOME
TER O PÃO QUE MATA A FOME
E O TETO QUE AGASALHE”.
Altair Leal/ julho 2008
Direitos reservados,
sábado, 21 de março de 2009
RIO CAPIBARIBE - Isabel Maia

dia 22 de março ,
é o Dia Mundial da Água,
e a Pantera Cordelaria envia aos leitores este cordel" O RIO CAPIBARIBE",
da poetisa Isabel Maia
CAROS LEITORES LHES PEÇO
LER A HISTÓRIA COM ATENÇÃO
EM VERSOS TIPO CORDEL
DO RIO A EXPLANAÇÃO
NÃO HÁ TÉCNICA DA MÉTRICA
NESSA VERSIFICAÇÃO.
SERRA DE JACARARÁ
NA CIDADE DE POÇÃO
NASCE O RIO CAPIBARIBE
VASTA É SUA EXTENSÃO
INSPIRA POETAS, ARTISTAS,
PRA O TROVADOR A CANÇÃO
O NOME DO IMENSO RIO
DA LÍNGUA TUPI DERIVADO
CAPIBARA- YBE - TRADUZIDO
CAPIBARIBE - CHAMADO
TAMBÉM CHAMADO - IPE
CAPIBARIBE AFAMADO
RIO DOS PORCOS SELVAGENS
UMA SIGNIFICAÇÃO...
RIO DAS CAPIVARAS...
OUTRA DENOMINAÇÃO,
TEM ELE DIVERSOS NOMES
VÃO APRENDENDO A LIÇÃO
ÁGUAS LÍMPIDAS, CRISTALINAS
SOBRE AS ÁGUAS A ANDORINHA
MOLHA O BICO – GARGAREJA
NOS GALHOS ELA SE ANINHA
VISTA PRA CARTÃO POSTAL
PONTES, RIO E A PRACINHA
PEIXES EM QUANTIDADE
PRA ALIMENTAR NOSSA GENTE
FRUTO DA PESCARIA
DE UM PESCADOR CONTENTE
NA MESA JAMAIS FALTAVA
UMA PEIXADA DECENTE
O RIO CAPIBARIBE
A HISTÓRIA É IMPORTANTE
O FATOR GEOGRÁFICO
TEM PAPEL PREPONDERANTE
COM O SEU SOLO MASSAPÊ
NATUREZA EXUBERANTE
ENGENHOS DE CANA-DE-AÇUCAR
EM PERNAMBUCO SURGIRAM
AS VÁRZEAS PRA PECUÁRIA
MUITO CONTRIBUIRAM
UM SOLO TÃO PRODUTIVO
VÁRIAS PESSOAS ATRAIRAM
DETALHES SÃO IMPORTANTES
AO ESTUDO ACRESCENTAR
O RIO TEM TRES CURSOS
ALTO MÉDIO ATÉ BAIXAR
TEM REGIME SAZONAL
QUANDO A ESTAÇÃO CHEGAR
RARA BELEZA – NOSSO RIO
DO NORDESTE BRASILEIRO
ATRAVESSA VÁRIOS BAIRROS
VÁRZEA,CAXANGÁ, MONTEIRO
POÇO DA PANELA, SANTANA
NA TORRE PASSA LIGEIRO
ATRAVESSA OUTROS BAIRROS
QUE NÃO CITEI AINDA
UMA HISTÓRIA INTERESSANTE
QUE NÃO TÃO BELA FINDA
CAPUNGA, DERBY, MADALENA
APIPUGOS – DE PAISAGEM LINDA
PASSA POR CASA FORTE
UM BAIRRO TRADICIONAL
ANTES O RIO ERA LIVRE
DA DEGRADAÇÃO AMBIENTAL
DO ASSOREAMENTO E POLUIÇÃO
DO RESÍDUO INDUSTRIAL
EM MÉDIA SETENTA E QUATRO
SÃO OS SEUS AFLUENTES
MAIS DE 40 MUNICÍPIOS
RECEBIAM ÁGUAS CORRENTES
DANTES PURA BELEZA
LIVRES DOS POLUENTES
ALGUMAS DESSAS CIDADES
PELO CAPIBARIBE BANHADAS
TORITAMA, SALGADINHO
SÃO LOURENÇO DA MATA
OUTRAS CIDADES TAMBÉM
FORAM PRESENTEADAS
SANTA CRUZ DO CAPIBARIBE
PAUDALHO E LIMOEIRO
DESÁGUA O RIO - NO RECIFE
TORITAMA CITEI PRIMEIRO
NO OCEANO ATLÂNTICO
CHEGA A SUA FOZ LIGEIRO
O NOSSO FAMOSO RIO
FAZ AINDA CONFLUÊNCIA
COM O RIO BEBERIBE
OUTRO RIO DE INFLUÊNCIA
PRA DESAGUAR NO OCEANO
EIS ALGUMAS REFERÊNCIAS
NO PALÁCIO DAS PRINCESAS
O RIO PASSA POR DETRÁS
ANTES DE DESAGUAR
ESSE PERCURSO ELE FAZ
VIA OCEANO ATLÂNTICO
NO PORTO PRÓXIMO AO CAIS
DO CAPIBARIBE A HISTÓRIA
VAI AINDA ADIANTE
BRAÇO SUL ATÉ AFOGADOS
NUMA INTERAÇÃO CONSTANTE
ILHA DO RETIRO- JOANA BEZERRA
PASSA O RIO A TODO INSTANTE
JUNTA-SE AO RIO TIJIPIÓ
ANTES DE DESAGUAR
EM PLENO PORTO DO RECIFE
VEMOS O RIO DESEMBOCAR
RECIFE SEUS RIOS E PONTES
QUE A LUA VEM CLAREAR
CRIANÇAS VOCÊS PESQUIZEM
O ASSUNTO MAIS DETALHADO
NESTES VERSOS MOSTRO APENAS
UM RESUMO DO ESTUDADO
O RIO CAPIBARIBE CRIANÇAS!
PRECISA SER PRESERVADO
PERDÍAMOS ATÉ DE VISTA
GRANDE ÁREA VERDEJANTE
À EXEMPLO DOS MANGUEZAIS
FLORA E FAUNA EXUBERANTE
EXPLENDORES NATURAIS
DE UM PASSADO DISTANTE
USO PALAVRAS SIMPPLES
COM CLAREZA PRA O LEITOR
CRIANÇAS VÃO APRENDER
O QUE ENSINA O PROFESSOR
RECICLAR E PRESERVAR
VÃO A LUTA POR FAVOR!
SERVE PARA ADULTOS
MINHA VERSIFICAÇÃO
TODOS ESTÃO ENVOLVIDOS
NUMA TRISTE SITUAÇÃO
SALVEMOS O NOSSO RIO
RUMO À ESTAGNAÇÃO
HOJE EM SUA ENCOSTA
ÁGUAS SUJAS SEM VIDA
EMPRESAS POLUEM O RIO
NUMA AÇÃO NÃO PERMITIDA
O CAPIBARIBE SOFRE
COM A NATUREZA AGREDIDA
OS EFLUENTES JOGADOS
DE FÁBRICA DE PAPELARIA
EM QUANTIDADE DESPEJAM
DENTRO DO RIO TODO DIA
IMPEDINDO AS CRIANÇAS
PULAREM NO RIO COM ALEGRIA
NAS PONTES O PESCADOR
NÃO DEIXA DE INSISTIR
LEVAR PRA CASA A COMIDA
PASSA O DIA A PERSISTIR
A PESCARIA É TÃO POBRE
QUE LEVA-O A DESISTIR
ALERTA POPULAÇÃO!
ALERTA O POBRE E O RICO
NÃO POLUIR NOSSOS RIOS
PARA NÃO CORRERMOS O RISCO
NÃO COMER PEIXE DE COCO
NEM ENSOPADO DE MARISCO
CRIANÇAS CHEGUEM EM CASA
COM O LIVRETO NA MÃO
LEIAM PARA OS SEUS PAIS
LEIAM COM MUITA ATENÇÃO
VOCÊS SÃO A ESPERANÇA
SÃO VOCÊS A SALVAÇÃO
PARTICIPAR DE AÇÕES
É O QUE NOS RESTAM AGORA
RECICLAR LATAS E FERROS
O QUE ENCONTRAMOS LÁ FORA
CATADORES SE SUSTENTAM
ESTE RAMO ,ELES EXPLORAM
COM ESTA AÇÃO EVITAMOS
VERMOS CENAS DEGRADANTES
ENTULHOS A NAVEGAR
A BOIAR, TU NÃO TE ESPANTES
PNEUS, GARRAFAS, ANIMAIS,
SÃO DO RIO, NAVEGANTES
A VENEZA BRASILEIRA
COM OS RIOS E SUAS PONTES
RECIFE BELA CIDADE
QUE AGRADA AOS VISITANTES
DA FAUNA E FLORA PERDEMOS
EM ESCALAS ALARMANTES
UM AVISO PRA’S CRIANÇAS
UM ALERTA URGENTE
A CRIANÇA É ACESSÍVEL
É FÉRTIL A SUA MENTE
LEVAM PRA CASA A LIÇÃO
ENSINAM NATURALMENTE
FENÔMENOS DA NATUREZA
PREJUDICAM MUITA GENTE
OS RIOS E MARES REVOLTOS
VÃO PROVOCANDO ENCHENTE
O LIXO QUE ESTÁ NA RUA
JOGAMOS CONSTANTEMENTE
O LIXO TEM UM DESTINO
OS CATADORES OU O LIXÃO
NÃO HÁ NECESSIDADE
JOGARMOS PAPÉIS NO CHÃO
GALERIAS OBSTRUIDAS
POR CERTO TRANSBORDARÃO
ENCERRAREI O CORDEL
FAZENDO UMA APELAÇÃO
FAÇO A MINHA PARTE
DOU MINHA COLABORAÇÃO
JÁ ENTREGO RECICLADO
O LIXO NO CAMINHÃO.
ISABEL MAIA
AGOSTO/2008
sexta-feira, 20 de março de 2009
DEUS ME LIVRE DE FAZER - Eduardo Viana
Hoje eu acordei cedinho
Vendo o dia amanhecer
Fiquei deitado pensando
Nossa forma de viver
Com tantas coisas no mundo
Que não devemos fazer.
Nós não devemos beber
Pra depois fazer negócio
Com gente gananciosa
Não deveremos ser sócio
Nem viver de rede armada
A matéria entrando em ócio.
Ter vaidade ou ter rócio
Dizer que sabe brigar
Escolher mulher valente
Pra com ela se casar
Já fiz mas não faço mais
Pra Deus não me castigar.
Com doido querer brincar
Perder o tempo em comício
Gastar o que tem à toa
Na devassidão do vício
Quem faz assim dar um passo
Pra entrar no sacrifício.
Construir um edifício
Sem alicerces seguro
Trabalhar fiado a pobre
Comprar coisas no escuro
Negociar com cigano
Nada disso tem futuro.
É querer passar apuro
Discutir com traficante
Investir em rapariga
Julgar o meu semelhante
Eu posso até já ter feito
Não faço de hoje em diante.
Eu evito a todo instante
Discutir religião
Comentar politicagem
Me reunir com ladrão
Fazer piada com doido
Com cego e com sacristão.
Evito contradição
Com uma pessoa idosa
Gente que muito se muda
Para mim é duvidosa
E quem troca o telefone
Com este eu não quero prosa.
Com quenga espalhafatosa
Eu evito conversar
Fazer redução de estômago
Para gordo não ficar
Dar murro em ponta de faca
Já dei mais não vou mais dar.
Coisas roubadas comprar
Viver fazendo arruaça
Receber cheque sem fundo
Zombar da própria desgraça
Morar junto com veado
É coisa que não tem graça.
Tirar exu sem fumaça
Botar a mão em buraco
Votar com político ruim
Vender fiado a velhaco
Quem age dessa maneira
Mesmo que não queira é fraco.
Cabra que usa bisaco
Meu olho já fica alerta
Armazenar coisas velhas
Que a gente nunca conserta
Por mais que seja esforçado
Vive errando e não acerta.
Não ir por estrada certa
Pra prosseguir em atalho
Deixar de fazer a feira
Pra arriscar no baralho
Armar rede em torno frouxo
Para mim é ato falho.
Fazer fé em quebra galho
Colaborar com aborto
Fazer motim pra desordens
Tirar de outro o conforto
Não faço porque é crime
Quem faz assim estar torto.
Desrespeitar quem ta morto
Dar valor a falsidade
E comer uma comida
Contrariando a vontade
Falar mal da vida alheia
Pra mim é muita maldade.
E com eletricidade
Trabalhar sem entender
Se esforçar pra ensinar
A quem não quer aprender
Afiançar por parentes
Nem fiz nem quero fazer.
Dizer coisas sem saber
Tomar partido em intriga
Me meter no que não deve
De casal apartar briga
São coisas que só escuto
Porque o respeito obriga.
Fazer simpatia e figa
Para arranjar casamento
Querer também ligeireza
Nas passadas dum jumento
É perder tempo e conversa
Ou aceitar fingimento.
Levar corno pra convento
Gastar dinheiro com jogo
Acreditar em conversa
De político demagogo
São coisas que não tolero
Nem coloco a mão no fogo.
Todo dia eu faço rogo
Pedindo que Deus me ajude
Para me livrar da máfia
Que a tanta gente ilude
E que eu prossiga assim
O pensamento não mude.
Filar dum aluno rude
Numa prova competente
É mesmo que ser dois cegos
Andando num ambiente
Um cego guiando o outro
Por onde não passa gente.
Se sentar na terra quente
Acreditar em boato
Ouvir conversa de bêbado
Esperar por candidato
Poderei até fazer
Mas não vou achar exato.
Vou tirar do meu relato
Juro, sócio e parceria.
De carro velho eu só quero
Olhar a fotografia
Denunciar um colega
Para mim é covardia.
E na minha moradia
Não pretendo fazer festa
Quero manter o silêncio
Na minha casa modesta
É melhor estar sozinho
Que andar com quem não presta.
Com pessoa desonesta
Não quero nem arrodeio
Não me alimento apressado
Nem ando em carro sem freio
Não confio em vendedor
Nem acredito em sorteio.
Nos lugares que passeio
Procuro fazer o bem
Não faço pouco de pobres
Que pelas calçadas tem
Não discuto futebol
Nem faço mal a ninguém.
Gritar com surdo também
É um trabalho perdido
Usando a serenidade
Sempre tenho me saído
Na missa fico calado
Pra não ser repreendido.
Pra me livrar de bandido
O meu remédio é rezar
Vejo e faço que não vejo
Não vindo me provocar
O diabo com vara curta
Não pretendo cutucar.
Dormir cedo e acordar
Mais cedo pra ir à lida
Não constranger a família
Ter a paz constituída
São as coisas que desejo
E peço a Deus nessa vida.
Sempre tem uma saída
Pra gente se refazer
No zig-zag da vida
No ganhar e no perder
Dar valor a preguiçoso
Deus me livre de fazer.
Julgar nosso proceder
Só um Juiz julga e diz
Só ele tem esse mérito
Que a lei não contradiz
E no outro mundo Deus
Julga o réu e o Juiz. FIM
Eduardo Viana de Melo (meio doido meio poeta) é paraibano de Zabelê. Nascido num sítio na fronteira da Paraíba com Pernambuco. Arriscou a vida pelo mundo e hoje é técnico em telecomunicações aposentado; mas antes foi trabalhador na roça, cassaco de emergência, carreiro, garçom de cabaré, feirante, balconista, guarda, frentista, eletricista, operador de subestação e auxiliar de engenharia. Não se considera um poeta, mas reconhece que entende do assunto.
cavalobatizado@terra.com.br
(cordel publicado pela Pantera Cordelaria em, 19.03.2009, adquira atraves do email do autor ou em nosso blog.)
sexta-feira, 13 de março de 2009
O ENCONTRO DE DUAS ALMAS GEMEAS - Daniela Almeida
Que não é fácil encontrar
O amor da sua vida
Aquele bom pra lascar
Batizado de alma gêmea
Quase tudo a combinar
Tem gente que acha cedo
Outros que encontram tarde
E ainda tem aqueles
À procura da igualdade
Pra entregar seus sentimentos
A uma alma de verdade
Pra reconhecer tal alma
Não precisa teoria
Basta só você olhar
Desejar com pontaria
Pra sentir no coração
Verdadeira simpatia
Para quem nunca a viu
Seja por qualquer motivo
É um ser nada penado
Anda muito, está vivo
Pode estar bem ao seu lado
Como um ser humano ativo
Geralmente ela chega
Meio assim bem de repente
Não é avassaladora
Como algumas são presentes
Ela surge bem serena
Vai plantando a semente
E pra elas se avistarem
É preciso conhecer
Outras muitas outras almas
Da hippie a "dondoquê"
Ir de jegue ou Mercedes
Para então reconhecer
A mistura de paixão,
Amizade e amor
Essa alma é arretada
Pois não lhe causa rancor
Só paz e maturidade
Como o canto do condor
O principal privilégio
Desta alma carregada
É que muito ela não é
Como aquelas apressadas
Ela espera o tempo certo
Pra lhe dar uma flechada
Através de gestos simples
Percepções e afins
Pode ser numa estrela
Ou estalo de "dedins"
Em situações diversas
Aparece com carmins
Vem sem pontos luminosos
Ou sinais de uma magia
Vai muito de intuição
Quase uma telepatia
Basta só você a ver
Pra saber que é a sua guia
Outra identificação
Pra saber se é original
É que no primeiro encontro
Sempre deixa um sinal
Uma sensação tranqüila
Que não encontrarás igual
Seus nomes são similares
Almas de coincidência
Como univitelino
Gêmeas são as aparências
Nascem quase ao mesmo tempo
Vêm da mesma consistência
Ao contrário do que pensam
Também são bem diferentes
Têm alguns gostos distintos
Aperreios bem dos quentes
Mas faz parte do processo
De evolução das mentes.
Lá no fundo essas almas
De igual têm ideais
Formas de encarar a vida
Atitudes especiais
E enfrentam as diferenças
Com clareza de cristais
Sem tentar mudar o jeito
E estendendo a mão
Conhecer profundamente
Esse é o lema então
Dessas almas quando encontram
Uma a outra o coração
A atração demais existe
Mas não é a principal
O carinho é mais intenso
Uma coisa bem legal
Para depois vir o sexo
Consumir o que é real
E quem pensa que uma alma
Não possui sentimento
É por que só encontrou
Emoções de um momento
Só não vale desistir
De criar esse fomento
Muito mais que romantismo
Ou dose de dopamina
Substância cerebral
Causador da adrenalina
Medicina nessas almas
Nunca achou mapa da mina
Nesse caso o Fabio jr
Na canção que ele canta
Faz lembrar que alma gêmea
Vai além, tudo levanta
Dá prazer e dá vontade
Por alguém que a ele encanta
E mesmo depois de tudo
Se você não a achar
Não fique tão arrasado
Outra alma existirá
Pode ou não fazer feliz
Mas a vida é pra brindar
Viver grandes aventuras
Tristezas e alegrias
Sejam muitas ou bem poucas
Só ficar com harmonias
Para assim ir encarar
Debates sem agonias
Paciência é uma virtude
Para tudo que houver
Inclusive para ter
O amor que você quer
Decifrar sua gêmea alma
Não é uma missão qualquer
Esse par que vos revela
Tolerância e respeito
Coisa espiritual
Que ativa lá no peito
O sentido de viver
O que é seu de direito
E então se encontrando
Não se deixem escapar
Lembrem que são almas gêmeas
Nada vai vos separar
Sintonia mais que a vida
Um amor além do mar.
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CAMPO DE NUDISMO - (POESIA MATUTA) - Altair Leal

Homem sério de vergonha,
Deu pra ficar safado
Depois que “viuvou” de Tonha.
Antes um cabra normal
Ficou um sujeito sujo, imoral.
Se achando um velho pra frente.
Só quer lolita pra gastar
Acho que é pra se lembrar
Do tempo de adolescente.
Pensando em se dar bem
Certo dia ele inventou
De ir na praia de nudismo
Foi ai que se lascou,
Ao chegar à recepção
Fez logo sua inscrição
E uma moça lhe atendeu pelada
Ele doido pra se divertir
Tratou logo de se despir
Ficando também sem nada.
Daí começou a passear
Por aquele lugar bonito
Encantado com o que via
Achava interessante, também esquisito.
E tome passar mulher nua e pelada
E ele ali só nas “apreciadas”
Até que ao olhar de repente
Enxerga uma loura escultural
Com tudo durinho ao natural
Caminhando em sua frente.
Aquela figura nua, cara a cara,
E ele sem querer olhar direito
Ela vindo frente a frente,
Corpo a corpo, peito a peito...
De repente sente uma alteração
Percebe que ta tendo uma ereção
Ela nota que algo ta se armando
Olha bem nos seus olhos e sorrindo
Diz: se isso ai ta subindo
Então o senhor ta me chamando.
Vergonhoso e acanhado
Sem jeito responde que não
Ele desconhecedor das regras
Ela lhe explica a questão
Se ele vir uma mulher
E a vontade de fazer amor vier
Tem que ser ali, naquela hora.
O velho já agoniado, porém astuto,
Trata de cumprir o estatuto
E diz: já que é assim vamos “simbora”.
Os dois vão pr`uma moitinha
Joaquim fica aliviado
Depois de quase uma hora
Sai totalmente esgotado
Mas muito feliz e contente
Entra numa sauna cheia de gente
Ele sem querer, solta um pum,
Quando um homem alto, peludo,
Daqueles bem forte, membrudo
Olha o velho e diz: “ummmmm”
O senhor ta me chamando?
O velho responde que não
Ah, não conhece as regras da casa?
Então preste muita atenção
Toda vez que um homem peidar
Tem que servir ao primeiro que encontrar,
E como estou ao seu lado
Vá se virando ai com jeitinho,
Prometo lhe tratar com carinho
Afinal sou um cabra educado.
Ô posição desagradável, infeliz.
O velho ali de quatro humilhado,
Depois de meia hora sofrida,
O cabra sai totalmente saciado
Manda Seu Joaquim ir embora
O coitado mancando sai na hora
E vai direto pra secretaria,
Manda fechar sua conta ligeiro
Pois pagou pelo fim de semana inteiro
E ali não fica nem mais um dia.
Pega logo suas roupas
Veste cueca, calça, a camisa.
Reclama das dores nos quartos
Parecendo que tinha levado uma pisa,
E as moças ao lhe ver passar
Diz: oxente o senhor acabou de chegar
Ele diz: Meninas! Me desculpe vocês
Querer ficar, pra ser sincero eu queria,
Porém , eu solto 30 peidos por dia
E tenho uma ereção por mês.
Adquira este folheto na Pantera Coirdelaria
via email ou pelo fone 81-8669.5916
O EXAME DA PRÓSTATA -Altair Leal
Eu vivia no meu cantinho
Levando uma simples vidinha
Como todo humilde matuto
Criando meus "pato e galinha"
Mas os anos vão passando
E as doenças vem chegando
Pois já tenho mais de cincoenta
E tava sentindo umas "dô"
Fui perguntar pro "dotô"
O que é isso que me apoquenta.
Eu falei pro meu vizinho
Que durante um certo dia
fazendo as necessidades
Senti perto da "viria"
Uma dosinha infernal
Vindo de dentro do canal.
Mas meu vizinho disse amigão
Passe num posto de saúde
Conte seu problema a miúde
Que o médico dá solução.
E foi justamente o que fiz
Cheguei bem de madrugada
Pequei logo a minha ficha
Foi a última encontrada
Quando eu fui atendido
O resto já tinha ido
Eu era o último da lista
O "dotô" me examinou
E logo recomendou
Um tal de urologista.
É que eu tinha contado a ele
Tim-tim por tim-tim meu dilema
E ele foi anotando
Nuns "papé" meu problema
E disse: vou resolver!
Vou mandar agora você
Prum médico especial
É um doutor arretado
Você vai voltar curado
Desse problema no canal.
Chegando na capital
Que não via a muito tempo
Fui logo pro consultório
Esperar o meu momento
Comecei logo a tremer
Sabendo o que ia acontecer
Com relação ao meu teste
E fui ficando cabreiro
Só de pensar em abrir meu pandeiro
Que coisa esquisita da peste.
Fui pra sala do doutor
Já um pouco envergonhado
Ele disse: tire a roupa!
Não precisa ficar acanhado
Quando olhei pr"aquele dedo
Confesso subiu-me um medo
Fiquei foi muito nervoso
Que é isso "dotô""! vá com calma
Que é prá eu num ficar com trauma
Desse seu dedo treloso.
Menino o doutor caprichou!
Meteu o dedo lá dentro
Eu cheguei a ver estrelas
Senti as unhas no documento
Ele mexeu com jeitinho
Usou de certo carinho
Procurando a doença marvada
Depois com a mão já fora
Falou que eu podia ir embora
Dizendo que eu num tinha nada.
Receitou umas besteiras
Uns comprimidos pra dor
Me deu umas amostra grátis
Eu disse: obrigado doutor
E saí meio lá, meio cá
Com medo de contar
Pros parente a novidade
Dizer que tava curado
Meu canal tava sarado
Mais perdi a virgindade.
E assim eu voltei pra casa
Curado do que não sofria
Aquelas dosinha fina
Era frescura da "viria"
Só que do doutor o dedo
Eu lhe conto em segredo
Quem dera eu jamais avistasse
Imagine um matuto criado
Depois de velho "viado"
Se da dedada eu gostasse.
terça-feira, 10 de março de 2009
BACON COM FEIJÕES - Altair Leal
I
Zé Geraldo tripa solta
Filho de Chica de Antão
Tinha ele uma mania
Uma terrível paixão
O seu prato predileto
Era bacon com feijão.
II
Ele comia demais
Este prato que adorava
Sabendo ele que gases
Bastante lhe provocava
Quando a flatulência vinha
Embaraçoso ficava.
III
Até que um belo dia
Uma moça conheceu
Ele olhou no olho dela
O amor ali nasceu
Ela olhou no olho dele
Logo a paixão floresceu.
IV
Aquela sangria de amor
Já estava aparente
Dali vinha casamento
Tava claro e evidente
Porém tinha uma dúvida
Que o deixava descontente.
V
Ela não casa comigo
Era este o seu tormento
Pois esse excesso de gases
Findará o casamento
O que eu faço meu Deus
Pra acabar meu sofrimento.
VI
Ele fez um sacrifício
Fez promessa, também jura
Parou de comer feijão
Logo sentiu uma cura
Ligeiramente casou-se
E foi amor de fartura.
VII
Eis que alguns meses depois
A serviço viajando
O seu carro se quebrou
E o conserto demorando
Correu pra um orelhão
Foi logo telefonando.
VIII
Daí ligou pra esposa
Disse que demoraria
Pois o conserto do carro
Ia gastar mais de um dia
E ela não se preocupasse
Que ele ia a pé, mas ia.
IX
No caminho para casa
Tendo que andar bastante
Sentiu de repente um cheiro
Um aroma inebriante
Era bacon com feijão
Vindo de um restaurante.
X
Ciente que um quilômetro
Faltava para chegar
O odor do feijão com bacon
No comércio o fez entrar
Crente que o mau efeito
Muito em breve ia passar.
XI
Geraldo entrou e pediu
Ligeiro sem restrições
Do seu prato predileto
Duas não! Mas três porções
Se empanturrou de comida
Tome bacon com feijões.
XII
Já de volta para casa
No caminho retornando
Tendo o mais puro prazer
Os seus gases foi soltando
Coitado dos transeuntes
Que por perto ia passando.
XIII
Foi espalhando seu ar
Sem nenhuma inibição
Os seus gases fedorentos
Fedendo a putrefação
Crente que ninguém sentia
Caprichava seu rojão
XIV
Assim que chegou em casa
Sentindo-se aliviado
Seguro que o excesso
De gases tinha passado
Mas logo a mulher falou
Algo tinha preparado.
XV
Amor é uma surpresa
Espere para o jantar
Ponha uma venda nos olhos
Fica proibido olhar
Não vale tirar a venda
Pra tudo não estragar.
XVI
Vendado ele foi pra mesa
Guiado até a cadeira
A esposa o fez sentar
Na ponta, na cabeceira,
Pediu pra ele não olhar
Nem mesmo por brincadeira.
XVII
Quando ele sentou, sentiu
Que um peido vinha a caminho
Começou a suar frio
Sentiu nas costas espinho
Mas segurou bravamente
E recolheu o bichinho.
XVIII
De repente o telefone
Tocou na bendita hora
A mulher foi atender
Ele disse: é agora
E aproveitou a chance
Pra carniça jogar fora.
XIX
Menino foi um estrondo
O som que dali surgiu
Mais parecia a zuada
Da partida de um navio
E sem falar na catinga
Que do buraco saiu.
XX
Sentindo dificuldade
Para poder respirar
Com todo aquele mau cheiro
Começou a se abanar
Para ver se melhorava
A qualidade do ar.
XXI
Quando o ar tava melhor
Sentiu vindo no vapor
Um daqueles bem possantes
Com estrondo de motor
Foi uma carniça pura
Nunca vi tanto fedor.
XXII
Foi logo se abanando
Pro odor se dissipar
Esperando que ao normal
Voltasse a ficar o ar
Porém logo ele notou
Mais um tava pra chegar.
XXIII
Fez um barulho tão grande
Qual trombetas do inferno
Mais alto que os trovões
Das noites frias de inverno
Não só rasgou a cueca
Rasgou a calça do terno.
XXIV
Esse veio foi pra lascar
Menino como fedeu
Vi que as janelas vibraram
A louça estremeceu
E com sessenta segundos
A flor do jarro morreu.
XXV
Enquanto ficava atento
A conversa da mulher
Falando no telefone
Com uma amiga qualquer
Ele no fogo serrado
Era peido a dá com o pé.
XXVI
Durou quase seis minutos
A forte artilharia
Menino era tanto peido
Que chega dava agonia
Ele sempre se abanando
Naquela estripulia.
XXVII
Assim que o telefone
Sua mulher desligou
Ele já pegou um lenço
Leve no colo posou
Botando as mãos sobre ele
A sua perna cruzou.
XXVIII
A mulher pediu desculpas
Grata pela paciência
Ele com um riso cínico
Com cara de inocência
Desculpou sua esposa
Prendendo a flatulência.
XIX
Perguntou se olhou a mesa
Mas ele logo negou
A mulher certificou-se
Se ele não lhe enganou
Logo gritando: “S U R P R E S A !”
Sua venda retirou.
XXX
Para seu choque e horror
Tinha doze convidados
Todos com cara de espanto
Bem lado a lado sentados
Pois pro seu aniversário
Tinham sido eles chamados.
I N F E L I Z M E NT E.
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domingo, 8 de março de 2009
AMERICANALHANDO
( GLAUBER ROCHA)
AMERICANALHANDO
(1)
A cultura americana
Há muito tempo invadiu
Com um monte de leseiras
Pelo mundo e no Brasil
Já tô ficando arretado
Com tanto lixo enlatado
Porra! Puta que pariu!
(2)
E tem um tal de Piu Piu
Frajola um gato safado
Que vive a fim de comer
Um passarinho viado
“Acho que vi um gatinho”
Assim fala o passarinho
Amarelo e afrescalhado
(3)
Tem o Hulk esverdeado
Que custou muitos milhões
Ele grita feito louco
Berrando a plenos pulmões
Grita tanto quase engasga
Pois a calça nunca rasga
Fica apertando os culhões
(4)
E tem heróis bem machões
Menos o homem morcego
Amigado com um boyzinho
Com Robin tem aconchego
Mas só tem herói branquelo
Não tem herói amarelo
Sem falar que não tem nêgo
(5)
Tio Sam não dá sossego
Na cultural invasão
Na canção e no cinema
Polui a televisão
Homem Aranha, rock e clip
Free Willy, Zorro e Flip
E Van Dame o maricão
(6)
Stalone é um bundão
“Xuazineguer” outra bosta
No mundo tem tanto besta
Que aprecia e que gosta
É bala e tanta porrada
E o conteúdo é de nada
É nisso que se aposta
(7)
Alienar é a proposta
Empurrar ideologia
Fazer de bom o mocinho
Que é bandido da CIA
Que está ao lado do “bem”
A imagem que convém
Mostrada com simpatia
(8)
O Batman é uma “tia”
Super Man um tabacudo
Jerry Lewis um retardado
E Popeye é um chifrudo
Leva gaia da magrela
Vive brigando por ela
Com brutamontes barbudo
(9)
E como atrapalha o estudo
Ocupando a meninada
Viciada em TV
Vai ficando alienada
Consumindo porcaria
E no lixo se vicia
Vai ficando abestalhada
(10)
E por falar na negada
Michael Jackson o mané
Ficou branco feito talco
E com cara de “mulé”
É chegado à sodomia
Praticou pedofilia
Só não crê quem não quiser
(11)
Até quando se puder
Empurram o lixo insano
Mas existe quem combate
Como meu mestre Ariano
Da cultura brasileira
Vai levantando a bandeira
Contra o lixo americano
(12)
E piora a cada ano
A invasão cultural
No cinema até na dança
Na expressão musical
Abastardam o português
Com tanta coisa em inglês
Na prosódia nacional
(13)
E o babaca acha legal
“Milk Shake” de cultura
No mundo globalizado
É só essa a impostura
Tudo americanalhado
O resto todo esmagado
Dá nojo esta ditadura
(14)
Meu coração não atura
Resiste qual Dom Quixote
À imposição do gigante
Em nós querendo dar bote
Sou mais Monteiro Lobato
Mais que Disney um literato
Que nos legou grande dote
(15)
E aqui termino sem mote
Este versinho febril
Falando das fuleiragens
De americano imbecil
Viva minha gente brejeira
E a Cultura Brasileira
Sou muito mais meu Brasil!
ALLAN SALES
Músico, compositor e poeta cordelista. Natural do Crato-CE e radicado no Recife desde 1969. Dedica-se ao cordel desde 1997 sendo autor de mais de 400 textos sobre os mais variados assuntos, sendo os temas políticos e os de humor os seus preferidos.Fone: 81 3339 5251 /8845 9991e-mail: allanmenestrel@.gmail.com
www.allancordelista.blogspot.com
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POESIA MATUTA- FALAS DO POVO
Abraços poéticos para todos.
“ FALAS DO POVO “
Menino eu sou um matuto
Que não sei nada de língua
Estas coisas de francês, inglês,
Vige, chega me dá uma íngua,
Nem português direito sei falar
E as gírias que costumam inventar
Tem cada coisa esquisita pra se ver
Como os vícios de linguagem martelados
Repetição de termo inútil mal falado
Fica até difícil de entender
II
Tem uma nova mania
Que eu acho uma tristeza
Quando alguém pergunta algo
O outro logo diz: com certeza,
No meu tempo de criança
Trago ainda na lembrança
O oi, oxente,vige, avia,
Isto sim que é português
Não a língua de vocês
Que me dá é agonia.
III
Já não se dá um bom dia
Já não se diz obrigado
Fala-se e ai, então?
Cume quié meu irmão, irado?
Isto é modo de falar
Eu quero me comunicar
De uma forma descente
Quero que o interlocutor
Me entenda quando digo, por favor,
Ai sim, é linguagem de gente.
IV
Onde está o olá, tudo bem?
A senhora vai bem obrigada?
Agora mudou, é diga ai doido,
Vamo ali resolver uma parada.
Que massa meu irmão,
Se ligue, é preste atenção,
Oxe, que danado de palavreado,
Eu conheço é pru li, pru qui, pru lá
Inrriba,pru mode, acolá
Não esse tal de ta ligado? .
V
Quando vocês se zangam é pó meu
Se passa mulê boa é ô pité,
Libera ai meu irmão ,na moral
Vá por mim a mina é filé
No meu tempo de menino
O fraseado era mais fino
O senhor, a senhora, bença mãe, bença pai
Agora mudou é vô nessa coroa
E ai velho numa boa
Sujou meu irmão, lavra te sai.
VI
E esse tal de inglês,
Que vocês às vezes usam
Eu mesmo nem me meto
Língua e beiço, travam ,recusam
Hot-dog , é cachorro quente,
Brother parece que é irmão, parente.
Tem black, Wright, yes, not
Y love, you, the end
Quem diabo compreende?
Só chamando o teacher, o professor.
VII
E eu vou ta quebrando cabeça
Na hora que for falar.
Quem quiser me entender
Preste atenção é só me escutar,
Falo a língua do povo
Sem precisar repetir de novo
Falo direto com base
Interessante são vocês
Mal aprendem a falar português
E já ficam inventando frases.
VIII
Deixe eu cá com meu sotaque
De caboclo nordestino
Falando um português curtinho
Pois é este meu destino
Mas querer falar inglês
Usar termo em francês
Bom jour, mercy, al revuar,
Usar vício de linguagem
Essas gírias essas bobagens
Te dana home
Vai te lascar!!!!
Altair Leal
PERFIL DO POETA ALTAIR LEAL

ALTAIR LEAL
Nascido em Limoeiro-Pe em 1960, criado nos cafundós de Olinda,Recife e Paulista, onde mora desde 1990. Vice-presidente da Unicordel-PE(UNIÃO DOS CORDELISTASDE PERNAMBUCO), diretor da UBE-PE, da Academia de Letras e Artes de Paulista e membro do Grupo Invenção de Poesia no Recife,
LIVROS: -Coletânea Marginal Recife 5( Edição Prefeitura do Recife)
- Arrecifes em Cordel-Coletânea (Edição P.C.R.)
FOLHETOS: Versos com Sexo em Anexo (Poesias- Edição do autor)
Cordel do Combate a Dengue (Educativo-Editora Arribaçã)
Preservar pra não Faltar (Educativo -Edição Prefeitura do Recife)
- Falas do Povo –( Humor – Edições Pantera)
- Cordel do Leite Materno( Educativo – Gráfica CTC )
- O Rato, o Elefante e a Formiga ( Infantil- Edições Pantera)
- Cordel ,Água e Preservação( Educativo – Edição Prefeitura do Recife)
- Bacon com Feijões ( Humor – Editora Coqueiro)
- Manias de Pobre e Sintomas de Pobreza( Humor - Edições Pantera)
Participação em outros cordéis coletivos e pelejas.
OFICINAS DE LITERATURA DE CORDEL
- Biblioteca de Casa Amarela
- Circuito Cultural Banco do Brasil – UFPE
- Circuito Cultural Banco do Brasil – UFPE
- Colégio Real
- Escola Municipal do Alto José do Pinho.
- Espaço Cultural Clarice Lispector – XI Bienal do livro –PE
- Sesc- Piedade.
- Grupo Escolar Almirante Soares Dutra
- Escola João Barbalho.
- Participações em palestras e mesas de cultura.
PREMIOS:
- Exposaúde 2007 – Prefeitura do Recife – 3º colocado com o “Cordel de Combate a Dengue”.
- 1ª Recitata 2006 – Festival de Literatura do Recife - 5º colocado com o poema “Falas do Povo”
- 2ª Recitata 2007 – Festival de Literatura- 1º colocado com o poema “Exame da Próstata”.




